Ovelhas

As muitas ovelhas branquinhas e de rico pelo aveludado que pastavam tranquilamente na paz das sombras de frescas árvores verdes, viram quando seu pastor transformou-se em uma delas. Ele, um pastor experiente e que já há muito cuidava de todas elas, se pôs de repente a dançar e rodopiar em baixo de uma das árvores. Com um súbito acesso, correu e se equilibrou com ajuda de seu longo cajado, em cima de uma das ovelhas que incrivelmente o suportou. A dança deu lugar a uma rápida carreira, que deu lugar a um inexplicável equilíbrio que apenas grandes e demorados treinos tornariam possível, que por fim deu lugar a uma vertiginosa transformação não explicável. Agora eram todos um só, sem pastor e sem qualquer direção correta. Livres e perdidos, achados por qualquer predador feroz. Sem saída. Um leão surgiu ao longe e aproximou-se aos poucos. As ovelhas viram e correram rumo ao que parecia uma entrada de caverna. O leão não correu. Pena ou certeza do que não poderia fugir? O tempo seria suficiente para algo entre, fugir por uma saída nos fundos de onde entrariam ou nem chegar mesmo a entrar. Curto tempo. Ovelhinhas perdidas e livres, achadas por qualquer um que buscasse algo fácil de se tornar uma presa. Mesmo para aquele que já soube um dia qual direção tomar, quando se perde tal visão necessária, será assim todo caminho uma trilha de perdição.

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