Erma pinha

Uma pinha marrom e pequena de um pinheiro. Habitando solitariamente a ponta de um galho pendente, um pinheiro erguido e sozinho, afastado do mundo inteiro. Pinha esta que caiu, caiu, rolou e subiu, para descer com mais força em forma de grande bola de neve e adentrar uma gélida e erma caverna. Pequena e frágil pinha, ganhou corpo e peso com a leve e grossa matéria da alva neve. Rolou, rolou, caiu. No interior da caverna, pairando o frio de rasgar a alma de um lado a outro.

Uma canção eterna e tristonha da qual qualquer ouvido consciente choraria se percebesse, ecoando por ela inteira. Por ela inteira notas de um órgão incessante vibrando pelas estruturas de seu gelo antigo, que parecia soltar faíscas de um brilho azulado e lento mais e mais. Mas seu chão era íngreme e a pinha rolou e caiu de vez. Em sua velocidade quebrou uma placa de gelo que seria sua única proteção. Mesmo com todo seu grande corpo branco que ganhara das muitas neves, a simples pinha mergulhou ao lago gélido de um pálido profundo. Restou na camada mais escura e escondida. Uma simples pinha não mais forte, não mais orgulhosa e viril. Peixes curiosos ainda a mordiscaram para depois esquecê-la para sempre no frio abissal das grutas remotas e esquecidas pelo tempo.

Um comentário em “Erma pinha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s