Multiplicidade

Na constância da multiplicidade do real, diferente deles, corro em busca da captura da realidade em sua mudança, em seu devir. O rio que adentrei para chegar em outra margem era calmo e sussurrante, mas não mais o mesmo de ontem, nem eu, o de ainda há pouco… Oh tempo, como tua ingratidão é penetrante! Dolorosa! Tu acaba com tudo e não volta para um fechamento de contas… Talvez já houve, só não percebi mesmo… Por incontáveis épocas e lados é sempre uma oposição interna, uma luta de contrários. Matando e morrendo, prometendo e esquecendo, prostrado aos pés da infindável mesmice degradante. É absurdo, impensável, é de uma morbidez necrofilíca! A força do tédio tem em seu núcleo o assassínio da alma! Enfim passei do rio, agora já me vou bem longe, na direção das rochas sozinhas e imutáveis. Rochas que ouvem a todo instante o chicotear dos ventos cortantes e o gemido das entranhas da terra. Mas são imutáveis apenas na concepção de um mero observador passageiro! Em uma fogueira que acendo, vejo a instabilidade do fogo em minha frente. Refletindo em meus olhos a eterna forma ardente, em sua incansável agitação passageira… Passageira! Até que alguém o acenda e até que alguém o apague! E assim se refaz. Me desfaço agora sobre as cinzas de uma antiga fogueira já extinta. Acabamos juntos, extinguindo-se em uma só matéria, em uma só forma… Formas passageiras e inconstantes na descontinuidade do existir.

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