Choro inocente

Uma criança chora em agudo desespero quando, enquanto brinca de forma alegre e deslembrada no parquinho da cidade, acha-se por inteiro perdido da incumbência amorosa dos olhos de seus pais. Intencional? Areia e vento, rostos estranhos e sem expressão, rangidos metálicos dos balanços, risos ingênuos, luzes ofuscadas de carros que passam … Na inocente face macia, lágrimas quentes que repassam … Mas logo sente um par de mãos quentes que o levanta e afasta-lhe com minúcia o molhado salino dos olhos. Um beijo morno, um abraço forte contra o peito carnal, uma voz terna e compassada. Depois já então adulto, o choro se repete, e é quase o mesmo. Mais cortante e forte é certeza! Instintivo? Duras lágrimas moldadas pela indiferença do tempo! No cenário local, outra areia, outro vento, muitas outras faces desconhecidas, o rangido metálico dos brinquedos ainda é o mesmo… As mãos quentes e amáveis não mais, a voz branda de consolo não mais, o sorriso por ter achado e as lágrimas afastadas e enxutas, já não se acham mais! Na longa e velha estrada da vida, quanto mais se caminha mais sozinho e ermo se encontra. Assim então ser seu próprio consolo, próprio amigo, próprio abraço e voz branda …

2 comentários em “Choro inocente

  1. Entrada muito boa! você descreve em sua narração; medos de cada ser humano ao longo de sua vida; Ansiando pela proteção daqueles braços fortes que o protegiam … Atenciosamente.

    Curtido por 1 pessoa

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