Um pulo pela literatura holandesa: 6 obras indispensáveis.

Olá meus belos!

Vocês tão por dentro da literatura holandesa? Ou conhecem o nome de algum autor holandês? Eu não, e pra falar a verdade nenhum pouco rsrs. Na realidade, ela é pouco difundida aqui no Brasil, pelo menos até hoje né. Mas nada que uma boa pesquisa não resolva não é mesmo?! E assim traga coisas boas e relevantes, para nossa informação e curiosidade. Traz aquela satisfação devida. Simbora!

Eduard Dowes Dekker. De pseudônimo Multatuli (bolado por ele mesmo, significa “sofri muito”).

Antes de seguir, não podia deixar de falar dele. Foi um grande escritor holandês. Considerado o maior de lá, melhor dizendo. Sua obra de maior marco foi “Max Havelaar”, um grande romance com um estilo bem diferente e engraçado, que traz histórias dentro de outras histórias… e por aí vai. Algo como “histórias das mil e uma noites” sabe?

No final da obra, o próprio Multatuli interrompe os personagens e toma a palavra, pra falar algo de sua idéia (nunca li, mas já achei isso bem bolado e interessante). Freud por exemplo, era um leitor assíduo de Multatuli. Até disse que toda a obra dele, ficava dentre as suas preferidas. Gogh citou ele em cartas. Lênin o citou em diários. Mahler comentou de forma eufórica sobre o seu principal romance (Max Havelaar), durante seus jantares… Foi muito influente o cara em?!

Gostaria de deixar uma frase dele que gosto muito: (passei a gostar pelo menos rs) “Talvez nada seja totalmente verdade e talvez nem mesmo isto”.

Estátua de Multatuli junto ao canal Singel de Amesterdão. Foi inaugurado pela rainha Beatriz em 1987.

1- Contos holandeses (1839-1939)

Este livro é a primeira coletânea do conto holandês, em terras brasileiras. Na prática mesmo, o primeiro da América latina. Conta com 18 contos de 18 autores, onde correm cem anos da mais alta literatura dos países baixos. Partindo da primeira metade do século 18 até pouco tempo antes do início da segunda grande guerra.

Aqui se encontra os principais escritores holandeses: Hidelbrand, Arnold Aletrino, Hendric Marsman, e tantos outros mais (é uma lista até grande). Alguns até concorreram formalmente ao prêmio Nobel de literatura: Arthur Van Schendel, Frederick Van Eeden, Simon vestdijk… Simon até foi indicado 15 vezes ao prêmio sueco, eita meu!

Trazendo uma ampla amostragem dos mais variados gêneros como, do cômico ao fantástico e do trágico ao experimental estes grandes clássicos holandeses, são na maioria inéditos em português, ganhando aqui sua primeira tradução.

2- No limite da razão, J. Bernlef.

J. Bernlef

Essa obra aqui é uma novela com um traço de vigor e sensibilidade. O Sr. Marteen Klein já com 71 anos de idade, vive com sua esposa Vera em Gloucester. Naturais da Holanda, eles se vêem em grande dificuldade para escapar da opressora e horrível invasão nazista em seu país, antes de fugirem para os EUA, onde lá Marteen passa a trabalhar para o governo americano. A história é toda contada em primeira pessoa pelo protagonista, que ainda sofre de Alzheimer. As falhas de sua memória só vão aumentando, e o leitor pode ver o esvaziamento de sua mente juntamente com o sofrimento de sua pobre esposa. Bem dramático mesmo né :/ ?!

3- Tirza, Arnon Grunberg

Jörgen Hofmeester, uma vida de alto padrão, maravilhosa mesmo: uma esposa atraente, uma linda casa com jardim em um belo bairro de Amsterdã, uma carreira de prestígio como editor de livros de ficção estrangeira, duas lindas filhas Ibi e Tirza, sem contar uma boa conta corrente na Suiça. Uma vida de luxo e sossegada né? Mas que infelizmente acaba mudando com uma série de acontecimentos dramáticos. A história começa com Jörgen preparando com cuidado e atenção, sushis para a festa de formatura e despedida de sua filha Tirza. Estranho é que, por trás de sua aparente calma e controle emocional, existe em si uma forte tensão, uma raiva reprimida ( porquê isso cara?!), um sentimento ruim oculto, que vai fazendo parte do protagonista ao longo da história, até o final inesperado e desconcertante. Aquele tipo de final que você fica “poxa, mas por quê dessa forma?” As vezes acho chato esse tipo de desfecho, mas né. Tirza é um romance ao mesmo tempo que fascinante e assustador, sinistro e obscuro. Que busca mostrar a inútil procura desesperada de um homem pela salvação (seria a dele mesmo?).

4- A erva amarga, Marga Minco

Marga Minco

Aqui mais um relato corajoso com o horror da guerra e intolerância como cenário principal, mostrando uma jovem judia fugitiva enquanto a Holanda era ocupada por nazistas. Em 1940, sozinha e longe da família, Marga escapa milagrosamente da prisão e da morte em um campo de concentração. Tem aquele tipo de relato vívido de cada momento, que nos faz sentir como se fosse nós mesmos a vivenciar aquilo. Como seu pai chegando com um pacote de estrelas amarelas que iriam ser costuradas na roupa, a ardência na cabeça devida a descoloração com uso da química, e outros mais. Ela conta como foi ver a nuvem negra tomar conta do céu de seu país, até mesmo da sua vida, narrando os esconderijos em fazendas, as viagens de trem, a dor da perda. Usando uma linguagem concisa e emocionante, trata mais uma vez de algo que não deve ser repetido jamais.

5- O atentado, Harry Mulisch

Harry Mulisch

Mais uma história mostrando o drama, para fugir e vencer numa Holanda aterrorizada pela guerra. Personagem dessa vez é Anton Steenwijk, que ver sua vida em um novo caminho após um atentado. Mulisch é um dos maiores nomes da literatura européia, até aclamado pelo renomado e premiado com um Nobel J.M Coetzee, como um dos melhores de sua geração. Tido como um romancista instintivamente psicológico. Seu protagonista foi criado com todo cuidado e dedicação como de um pai, ainda que não lhe livre dos sofrimentos e aflitos que um pai livraria e protegeria… Mas dar as condições necessárias para enfrentar tudo isso. O atentado ganhou também adaptação para o cinema, onde ganhou Oscar e até o Globo de Ouro. É certamente sua obra prima. Steenwijk é um moço consciente, até mesmo da temporalidade de sua existência. De tudo que passou, mas enxergando a necessidade de seguir adiante, cabeça erguida. É contado em episódios curtos e longos vai e vem. Ele percebe as diferenças que o mundo passou ao longo de quarenta anos após a segunda grande guerra. E na década de 80, ele se depara pela última vez com um dos personagens do incidente, o tal atentado. E aí que tá a peça chave para entender a história toda.

6- Dias de finados, Cees Noteeboom

Cees Noteeboom

Aqui uma história de buscas e descobertas. Arthur Daane é cameraman e autor de documentários pra TV, e depois de perder sua esposa e o filho num trágico acidente aéreo, passa a vagar por Berlim com sua câmera colecionando imagens para seu grandioso projeto, que na verdade é um filme. Busca registros em um mundo que muda constantemente, e até acha vestígios, resquícios que a neve parece apagar para sempre.

Passando pela metrópole alemã, nas mesas dos bares e restaurantes, ele e os amigos discutem por horas sobre a década de 90. Um dia conhece Elik uma estudante de história e enxerga nela um encanto, como o canto de uma sereia. Bonito né? Pois essa jovem mulher de segredos ele persegue até Madrid, uma certa obsessão envolvida. É uma obra que avança num ritmo de um belo romance em que as histórias pessoais parecem se misturar ao acaso com a história dos lugares onde é vivido cada coisa. Todo o cenário é aquele belo e magnífico panorama europeu, fotografado aqui, filmado alí, por um romancista que representa com precisão as encruzilhadas dos caminhos individuais e a história do próprio continente. É certamente uma rica leitura.

Até mais com mais meus belos ;)!

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4 comentários em “Um pulo pela literatura holandesa: 6 obras indispensáveis.

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