Álbum de amarguras

-Conto autoral

Alí eu estava, numa tarde qualquer. Andando novamente pelo mesmo caminho, do qual outrora, vívemos tempos tão belos. Todos aqueles locais, pareciam um campo magnético por onde elas pairavam, as mais profundas memórias. Me causavam arrepios profundos. Mas tomei coragem, e fui andando, até em frente daquela antiga casa. Ah meu Deus, aquela casa! Sonhava com ela todos os dias, e tudo de bom que havíamos passado, tudo de maior plenitude. Fiquei só parado alí em frente, era como um transe. Mas precisava ir. Chorava por dentro e já as lágrimas desceriam.
Não queria que eles vissem! Onde é que esse rio iria desaguar mesmo? Será que teria fim, chegando ao mar? Sei que nossas lágrimas se encontrariam e juntas, dançariam.
“Como é triste! Minha alma chora tanto, e já se desfaz ! Porquê tudo aquilo, se venceu tão rápido? E se eu ainda tinha o poder nas mãos, porquê fui um covarde tão miserável, de não enxergar meu próprio erro? Eles, gritavam para mim. A saudade não quer me deixar viver, é como um eterno coma!”
Só queria poder passar mesmo, e banhar- me naquele oceano outra vez, como antes. Mas em paz. Por que era como se… ela fugisse de mim. Fui eu mesmo quem te machucou, eu mesmo quem te afastou de mim, eu mesmo que te arrancou de mim. Mas doía. Doía tanto. Fiz por merecer, tanto! Mas ainda indo em frente, olhei para trás… sei que nunca, nunca se apagaria jamais.

Agora, aqui, dentro desse avião, só quero mesmo é dormir. Preciso olhar mais além. Mas antes, abro o álbum e vou vendo cada página lentamente. Cada página virada, cada momento vivido, cada olhar sobre o outro… aquela sensação que talvez não se possa mesmo descrever. Agora sinto meu peito embargado. Sei que as páginas também sente ao me ver. Sim, elas sentem… por nós. Sou como uma fotografia que não se fixa, que muda de forma contínua.
Fecho o álbum e beijo-o calorosamente. Sinto algo como um beijo em resposta… é tão estranho. Mas de uma beleza sem fim, é feito todos esses momentos. Fecharei meus olhos. Desejo te ver amanhã outra vez… se eu ainda acordar.

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2 comentários em “Álbum de amarguras

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