Sonho distante

Pronto, vim até aqui novamente. Daqui vejo a imensidão de nuvens banhadas pelo vermelho sublime. Deste lado leste alí do céu, é como se um artista habilidoso com um pincel, desse uma leve esfumada de branco e cinza pelo papel.
Tudo bem, eu sei que está pensando em mim também meu amor… Sou apenas um ninguém, que não entende nada tão bem. Fico em pé com as mãos no bolso e, nesses próprios pensamentos me dissolvo.
Quantas crianças brincando ao meu redor… “Certamente vocês não se sentem tão só quanto eu. O tempo dá tanto dele para vocês!” Tantas vezes também, sonho em ser criança outra vez. À oeste, aquelas nuvens tão distantes e passageiras que vejo ao longe … Tão passageiras quanto eu, sinto que passo juntamente com elas! São todas levadas para o infinito pelo céu e de igual modo eu também, só que aqui na terra.

Quantas vezes já sonhei acordado? Onde, acima das nuvens bem distante, eu via uma cidade de ouro cintilante onde tudo seria uma eterna festa! como aquela que viví quando bem jovem. Ou, apenas sentado sobre tais nuvens… somente eu e ela, minha amada! Meus braços que envolviam seu corpo quentinho por trás… E seu cabelo liso que tocava em meu rosto e eu sentia seu perfume divino, que exavala de cada fio enquanto olhavámos o oceano bem longe. E eternamente assim seguia e fosse. ninguém nunca mais, sim, ninguém nunca mais nos tocaria ou afastaria!
Ou ainda sozinho, deitado sobre a borda minguante da lua contemplando a inexata exatidão da solitude tão crua!

Deixaria uma perna solta balançando, sem medo de cair, morrer, me ferir… Sim, pois eu também era tão jovem, tão jovem! Semelhante a essas crianças que agora se vão com seus pais para casa. Tentei conter essa lágrima, não era pra ser agora, não nessa hora. Alguém de repente me pergunta “O senhor está bem?” “Sim, creio que sim…perdão. É que venho aqui todo dia nesse mesmo horário, não sei sabe… Às vezes é difícil conter o que se guarda trancado.” “Fique bem, fique em paz!” A moça me diz. Tentarei, juro que tentarei ficar …

Ah, a infância doce! Ela me reflete! Todo eles que se divertiam até agora a pouco, pais e filhos, se foram agora do parquinho alto da cidade. Já é noite outra vez, que rápido… E é na noite que o espetáculo de luzes urbanas rasgam a escuridão todos os dias. Devo ir também. Um tanto entorpecido por algo que deva ser sono, muitos medicamentos ou talvez, a dor de um profundo abandono. Pois irei e descansarei. Descansarei essa minha alma feita de nostalgias e sonhos, que agora precisa de paz, por sobre a longícua cidade sobre as nuvens.

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